quarta-feira, 30 de setembro de 2015

Cão volta a andar depois de tratamento com células-tronco no PA

A Universidade Federal Rural da Amazônia (UFRA), em Belém, em parceria com o Instituto Evandro Chagas, desenvolve uma pesquisa que utiliza células-tronco para ajudar na recuperação de movimentos de cães vítimas de fraturas na medula espinhal ou de vírus que paralisam os membros. Um dos cachorros que fazem parte da pesquisa recuperou os movimentos das patas traseiras em pouco tempo. O tratamento ainda está em fase experimental e ainda não está disponível para a comunidade.
“Ele conseguiu levantar, andar e quer até correr”, conta a fisioterapeuta Silvia Gatti sobre a atual situação de seu cão Bradock, um vira-lata de seis anos.

Nos dois últimos meses, a situação de Bradock mudou. O cão recuperou os movimentos, um resultado que surpreendeu os médicos veterinários e os donos do animal. “Nos indicaram até que sacrificássemos o animal. Meu marido não se conformou e mudou de médico. Foi quando ficamos sabendo da pesquisa da UFRA. O Bradock andava se arrastando pela casa, e na primeira semana de aplicação já apresentou reações nas patas traseiras, contrações e vários sinais de melhora, que fomos percebendo ao longo dos dias”, diz Silvia.

Pesquisa
O trabalho é desenvolvido por uma equipe formada por três cirurgiões, dois anestesistas, um radiologista, um clínico geral, alunos da graduação e pós-graduação da UFRA e a equipe do Laboratório de Citogenética e Cultivo Celular do Instituto Evandro Chagas. A pesquisa é coordenada pela médica veterinária Érika Branco, doutora em Ciências, que trabalha com células-tronco desde 2004. O objetivo é conseguir resultados eficazes para que no futuro o tratamento seja oferecido de forma gratuita para a população.
“Estamos trabalhando em dois projetos: um busca recuperar o movimento de cães que sofreram trauma medular, principalmente após atropelamento ou maus tratos, sofrendo fratura da coluna, com secção total ou parcial da medula espinhal; o outro é com animais com sequelas neurológicas após terem contraído o vírus da cinomose, ocasionando, assim, paralisia dos membros”, explica a pesquisadora.
Na pesquisa, é retirado um fragmento de gordura próprio animal, o que elimina os riscos de rejeição. É o Instituto Evandro Chagas que cede o espaço do Laboratório de Citogenética e Cultivo de Células para que os pesquisadores realizem a conversão do tecido da gordura em células-tronco, que apresentam capacidade de autorrenovação e diferenciação em múltiplos tipos de células-órgão específicas.
Mas, apesar dos resultados positivos, a veterinária alerta sobre a necessidade de muita pesquisa, estudo e experimentação para que os resultados se confirmem. “O que nos preocupa é o comércio irresponsável que está ocorrendo no mercado, com células-tronco sendo vendidas por R$ 2 mil por aplicação e ainda sem eficácia comprovada, já que tudo ainda é muito experimental e falta literatura científica sobre esse assunto”, diz a pesquisadora.

Células Tronco curam Obesidade

Uma pesquisa científica recentemente publicada suspeita ter encontrado a cura para a obesidade. A cura estaria em utilizar uma injeção de células tronco, com gordura marrom, em indivíduos obesos. O resultado é a transformação da gordura branca (má) em gordura marrom (boa) que, consequentemente, leva ao emagrecimento. A gordura marrom é encontrada em grande quantidade nos bebês e faz com que eles gastem calorias, energias e estas gorduras ao mesmo tempo, impedindo que se acumulem por um grande período. Quando há uma transformação da gordura marrom na gordura branca, o organismo passa a não utilizar esta gordura em grande quantidade, somente em último caso, quando o indivíduo faz uma dieta rigorosa e exercícios físicos. Com a descoberta, os indivíduos obesos que recebem a injeção da célula tronco terão as suas gorduras brancas modificadas, sendo mais fácil emagrecer e diminuindo o risco de diversas doenças. Este estudo é da responsabilidade de Johns Hopkins e ainda não foi realizado em humanos, portanto ainda mais pesquisas científicas serão necessárias até que o método seja aprovado.

Células tronco na menstruação

Cientistas japoneses conseguiram encontrar células tronco na menstruação. Estas células quando devidamente trabalhadas podem gerar tecidos como células nervosas, vasos sanguíneos e até mesmo células produtoras de insulina, sendo eficaz no tratamento de diversas doenças. Até o momento foram realizadas poucas pesquisas científicas sobre o assunto, mas é bom saber que existem outras formas de encontrar células tronco sem ter que ser pelo cordão umbilical dos bebês ou da medula óssea. Durante as pesquisas foram colhidas amostras do sangue menstrual de diversas mulheres e estas passaram por uma série de análises até que se observou que as células podem transformar-se em outros tecidos que podem formar órgãos. Esta pode ser a descoberta chave para resolver problemas de saúde grave como a diabetes e diversa doenças cardíacas utilizando as células tronco que são retiradas da menstruação. Essa conduta não é rotineira. Necessita de mais estudos sobre a viabilidade de células-tronco da menstruação.

Paraplégico Movimenta Pernas Após Tratamento com Células Tronco

Em abril de 2011, um paraplégico há nove anos voltou a ter a sensibilidade e a força nas pernas após um tratamento com as suas próprias células tronco. O tratamento realizado foi o de retirar as células tronco do osso do quadril do indivíduo e reimplantá-las na medula óssea, no local onde ele sofreu a lesão. Após esta pequena cirurgia, o indivíduo continuou fazendo fisioterapia e tem alcançado melhoras progressivas. Antes dessa descoberta não existia a cura para a paraplegia e o tratamento realizado para estes pacientes era somente de manutenção da circulação e do alongamento dos membros inferiores, para evitar que ficassem atrofiados.

USO DE CÉLULAS-TRONCO PARA RECUPERAÇÃO DE ARTROSE PRECOCE AVANÇADA NO JOELHO

A artrose é uma doença degenerativa que atinge as articulações e tem por principal característica o comprometimento dos movimentos do paciente. A doença surge, preferencialmente, em idosos; contudo, cada vez mais jovens entre 30 a 50 anos — em sua maioria portadores de síndromes de origem inflamatória e hemofílica — apresentam a artrose avançada precoce. O Santa Lúcia é o único hospital no Distrito Federal a realizar procedimento para tratamento da enfermidade para essa faixa etária utilizando células-tronco, desde sua coleta, processamento e reintrodução no paciente através de método cirúrgico minimamente invasivo. A técnica não abrange todos os casos, que devem ser avaliados individualmente pelo ortopedista, pois existem graus de artrose que não podem ser submetidos ao método devido a sua complexidade.


As células-tronco possuem a capacidade de se transformar em qualquer tipo de célula do corpo, como gordura, tecidos, ossos e cartilagem, por exemplo. Hoje, são utilizadas por diferentes classes cirúrgicas, e na ortopedia vêm permitindo avanços no tratamento de doenças ligadas às articulações. “O que fazemos é um procedimento de videoartroscopia, onde são realizadas microperfurações na região da cartilagem do joelho para o implante de células-tronco na articulação afetada”, informa o coordenador da Ortopedia e Traumatologia do Grupo Santa e especialista em joelho, Julian Machado.

Ainda segundo o médico, as células-tronco são processadas e concentradas para agir na reconstrução da cartilagem. “A recuperação da área operada se deve pela formação de um tecido muito próximo morfologicamente da cartilagem hialina (revestimento das articulações), e na diminuição do processo inflamatório pela presença de fatores de crescimento das células-tronco”. A recuperação leva de seis meses a um ano e deve ser acompanhada por equipe multidisciplinar composta por ortopedista, fisioterapeuta, fisiologista, hematologista e reumatologista (a depender da doença de base), além da participação de biomédicos no processamento das células.  

Células-tronco caçam e matam vírus da Aids

Uma pesquisa da Universidade da Califórnia, em Los Angeles, mostra que células-tronco podem ser geneticamente modificadas e transformadas em “guerreiras” para caçar e matar o vírus do HIV. Os cientistas responsáveis esperam que a descoberta possa ajudar a erradicar completamente a doença do organismo de pacientes infectados.







Para isso, foi identificada e isolada uma substância em leucócitos que os torna capazes de combater infecções. No entanto, como a quantidade de leucócitos que uma pessoa tem no organismo não é suficiente para acabar com o HIV, pesquisadores clonaram essa substância receptora e a colocaram em células-tronco geneticamente alteradas.
Então essas novas células foram implantadas em ratos de laboratório doentes, permitindo que eles estudassem a reação do tratamento em um organismo vivo. Como esperado, as “guerreiras” identificaram e caçaram, especificamente, as células infectadas com HIV. Quando isso aconteceu, os níveis de leucócitos do rato também aumentaram, deixando seu sistema imunológico mais forte e combatendo a doença com mais eficácia.
De acordo com o responsável pela pesquisa, Scott G Kitchen, esse é o primeiro passo em direção a um tratamento mais intenso, que irá fazer com que células tronco e leucócitos sejam capazes de livrar um organismo infectado do HIV. 



terça-feira, 29 de setembro de 2015

Voltarelli foi responsável pelo primeiro transplante de células-tronco em Ribeirão


Sertãozinho, meados de 2009. Ana Carolina Serra, 26 anos, já tinha perdido dois filhos – João Pedro morreu antes de completar cinco meses, e Kauan, no quarto mês. Causa das mortes: tuberculose pulmonar. Eles eram portadores de uma doença congênita conhecida como Deficiência Imunológica Continuada Grave, que transforma um simples resfriado numa doença letal.

Ana Carolina, então, soube que estava grávida. Depois de vencer o pânico, decidiu que iria lutar pela vida do terceiro filho. Procurou ajuda no lugar certo: Laboratório de Imunologia e Unidade de Transplante de Medula Óssea do Hospital das Clínicas, em Ribeirão Preto. E entregou aos cuidados do imunologista Júlio Voltarelli o destino do filho que iria nascer em breve e seria batizado Davi.

Davi veio ao mundo em 3 de novembro de 2009. Enquanto Voltarelli e sua equipe acionavam bancos do mundo inteiro em busca de célula-tronco de cordão umbilical compatível, Ana Carolina, por ordem do médico, largou o emprego de balconista e ficou isolada com o filho, num quarto da casa da mãe, também em Sertãozinho.

Davi não podia ter contato com o mundo externo. Ninguém deveria se aproximar dele. As condições de higiene deveriam ser rigorosas. Tudo bem esterelizado. Poeira, nem pensar.

Foram seis longos meses de isolamento até que chegou a primeira e alvissareira notícia: o cordão umbilical salvador tinha sido localizado em Saint Louis, capital da Louisiana, nos Estados Unidos.

Os milagres

Depois de alguns preparativos, no dia 15 de julho de 2010, realizou-se o procedimento. O sangue, retirado do cordão umbilical, foi injetado na corrente sanguínea de Davi, como se fosse uma transfusão.

Vinte dias depois, Júlio Voltarelli e parte da equipe composta de 30 profissionais reuniram a imprensa no HC para anunciar o primeiro transplante do gênero feito em Ribeirão Preto.

Modesto, Voltarelli explicou que o primeiro milagre estava em andamento. “É preciso que a célula-tronco produza um novo sistema de imunidade, capaz de defendê-lo, o que não acontecia até agora, já que qualquer coisa provocava infecções graves”, disse.

O segundo milagre viria com a produção de linfócitos, capazes de combater os vírus agressivos mais fortes. Os linfócitos seriam produzidos em meio à aplicação de imunossupressores, utilizados para evitar a rejeição.

O terceiro e último milagre se daria quando Davi ficasse livre das drogas imunossupressoras. Quando fossem suspensas, significaria que tinha ocorrido a tolerância imunológica, ou seja, o organismo do pequeno Davi reconheceria as células estranhas. Assim, o imunologista estipulou que, em pouco mais de um ano, com a sucessão de milagres e a ajuda da ciência, Davi teria vida normal.

Davi morou um mês e meio no Gatmo (Grupo de Apoio aos Transplantados de Medula Óssea), ao lado do HC. Depois, em casa, seguiu o tratamento. Nada de contatos com o exterior. Continuou isolado, longe de outras crianças, dos primos e das tias. Mas, como previra Voltarelli, ao cabo de um ano, já estava livre de todos os tipos de remédios. Atualmente, visita a unidade do TMO (Transplante de Medula Óssea) a cada dois meses, para detalhados exames sanguíneos. E o milagre perseverou.